Polícia prende técnicos de enfermagem por mortes de pacientes na UTI do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal deteve três técnicos de enfermagem suspeitos de participação em três homicídios ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. As mortes envolveram pacientes de 75, 63 e 33 anos, internados entre novembro e dezembro de 2025.

Investigação aponta aplicação irregular de substâncias

Segundo a Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o principal investigado, de 24 anos, teria administrado doses não prescritas de um medicamento capaz de provocar parada cardíaca em segundos quando usado fora dos protocolos médicos. Em um dos casos, após o término do fármaco, ele teria injetado desinfetante retirado da pia do leito, preenchendo cerca de 13 seringas que foram aplicadas diretamente na veia da vítima.

As imagens do circuito interno mostram o suspeito a retirar o produto na farmácia do hospital, ocultá-lo no jaleco e seguir para os quartos. Os registos também o mostram a realizar massagens cardíacas logo após as injeções, simulando tentativas de reanimação diante de colegas.

Como o esquema era executado

De acordo com os investigadores, o técnico aproveitava terminais de computador deixados abertos por médicos para prescrever os medicamentos em nome deles. Com a receita falsa, recolhia as substâncias na farmácia e dirigia-se aos pacientes. A análise dos prontuários e a cronologia das prescrições indicam divergências entre a evolução clínica relatada e a deterioração súbita observada pelas equipas médicas.

A diretora do Instituto Médico-Legal, Márcia Reis, informou que cerca de 20 laudos periciais já confirmaram a ausência de agravamento gradual nos quadros das vítimas, reforçando a hipótese de ação intencional.

Participação de outras duas técnicas

Além do principal suspeito, duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, foram presas. A polícia afirma que ambas estiveram presentes nos quartos durante as aplicações. Uma teria ajudado a vigiar a porta para impedir a entrada de terceiros, enquanto a outra auxiliou na retirada do medicamento na farmácia.

As câmaras de segurança mostram as duas profissionais a acompanhar os procedimentos e a observar o movimento nos corredores. A cooperação entre os três suspeitos é considerada decisiva para a consumação dos crimes, segundo o delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso.

Mortes ocorreram em novembro e dezembro

Os óbitos investigados deram-se em 17 de novembro (duas vítimas) e 1.º de dezembro de 2025. Em todos os episódios, a causa imediata foi parada cardíaca logo após a administração das substâncias. Os prontuários registram tentativas de reanimação lideradas pelo próprio suspeito.

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Imagem: Internet

A polícia analisa se existem outras ocorrências semelhantes no Hospital Anchieta ou em instituições onde os detidos já trabalharam. A linha do tempo em construção inclui verificação de turnos, prescrições eletrónicas e registos de passagem de plantão.

Resposta do hospital e medidas internas

O Hospital Anchieta declarou ter instaurado, por iniciativa própria, um comité interno de análise após notar circunstâncias atípicas nos três óbitos. Em menos de 20 dias, reuniu indícios, demitiu os funcionários e notificou as autoridades. A unidade informou ter mantido contacto com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos.

Em nota, a administração do hospital salientou que o processo corre sob segredo de Justiça, impedindo a divulgação de detalhes adicionais. A instituição defendeu o sigilo como forma de proteger as investigações e o trabalho dos órgãos competentes.

Posicionamento do Conselho de Enfermagem

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) comunicou ter tomado conhecimento do caso pela imprensa. O órgão acompanha o desenrolar da investigação e promete adotar as medidas cabíveis dentro das suas atribuições, sem antecipar possíveis sanções.

Próximos passos da polícia

Os três técnicos permanecem à disposição da Justiça e podem responder por homicídio qualificado. A polícia continua a recolher depoimentos de profissionais do hospital, familiares das vítimas e testemunhas que estiveram na UTI nos dias das mortes. Além disso, os investigadores avaliam relatórios de estoque de medicamentos, acesso aos sistemas informáticos e registos de filmagens para determinar o alcance das ações.

Eventuais provas de novos crimes poderão resultar em ampliação das imputações e do número de indiciados. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre possíveis motivações financeiramente ou psicologicamente relacionadas aos suspeitos.

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