Washington, 20 de janeiro — A NASA divulgou hoje um vídeo que mostra uma erupção solar de grande magnitude registrada no domingo, 18. O fenómeno levou o Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) a acionar um alerta para possíveis impactos em comunicações, navegação por satélite e redes elétricas.
Erupção X1.9 captada pelo SDO
As imagens foram obtidas pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), satélite responsável por monitorizar a atividade do Sol em diferentes comprimentos de onda. O instrumento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) registou a explosão no espectro ultravioleta extremo, revelando um clarão intenso perto do centro e do lado esquerdo do disco solar.
De acordo com a NASA, a erupção foi classificada como X1.9. Dentro da escala utilizada para estes eventos, a letra X indica as explosões mais energéticas, enquanto o número 1.9 especifica a força relativa dentro da categoria. O episódio figura entre os mais fortes observados recentemente e destaca a fase ativa do ciclo solar em curso.
Tempestade geomagnética de nível G4
O alerta emitido pelo Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC, na sigla em inglês) refere que a erupção desencadeou tempestades geomagnéticas avaliadas como G4. Essa é a segunda classificação mais alta num sistema que vai de G1 a G5. Em condições G4, podem ocorrer perturbações prolongadas na precisão dos sistemas de GPS, além de potenciais anomalias em satélites de telecomunicações e posicionamento orbital.
Segundo o SWPC, tempestades deste nível podem ainda afetar infraestruturas de transmissão de energia, exigindo ajustes operacionais por parte das concessionárias. A entidade acrescenta que aeronaves em rotas polares tendem a ajustar trajetórias para minimizar riscos associados à radiação elevada.
Efeitos na Terra e no espaço
Erupções solares libertam enormes quantidades de radiação eletromagnética e partículas carregadas. Quando alcançam a magnetosfera terrestre, essas partículas podem produzir auroras mais frequentes e visíveis em latitudes médias. Observatórios de vários países já confirmaram formações luminosas incomuns nos dias seguintes ao evento.
Além do espetáculo visual, há preocupação com sistemas tecnológicos. Comunicações de rádio em alta frequência podem sofrer bloqueios temporários, enquanto satélites podem encarar sobrecarga de partículas, levando à necessidade de colocar alguns equipamentos em modo de segurança. A NASA informa que tripulações na Estação Espacial Internacional foram notificadas para reforçar protocolos de proteção contra radiação.
Monitorização contínua
Desde 2010, o SDO opera numa órbita geossíncrona, observando o Sol 24 horas por dia. O satélite envia dados em alta resolução que permitem prever tempestades solares com maior antecedência. Para esta erupção, os primeiros indícios de ejeção de massa coronal foram identificados poucas horas após o pico do clarão, possibilitando a emissão rápida de alertas.
Imagem: Tecnologia e Inovação
Especialistas explicam que o ciclo solar atual está próximo do máximo previsto, etapa em que manchas solares e erupções são mais frequentes. Modelos de previsão indicam que eventos de intensidade elevada podem repetir-se nos próximos meses, reforçando a importância de vigilância contínua.
Recomendações de segurança
O SWPC recomenda que operadores de satélites revisem planos de contingência, reforçando monitorização de corrente e temperatura em painéis solares e sistemas eletrónicos. Companhias aéreas que utilizam rotas de alta latitude são aconselhadas a acompanhar de perto boletins de radiação cósmica, ajustando altitudes ou rotas quando necessário.
Para utilizadores comuns, os impactos costumam ser limitados a degradação temporária em serviços de navegação por GPS ou falhas momentâneas em comunicações de rádio. Redes de distribuição de energia mantêm equipas de prontidão para reajustar cargas e evitar sobretensões.
Perspectivas
Embora as tempestades geomagnéticas façam parte do comportamento natural do Sol, a crescente dependência de tecnologias baseadas em satélite torna esses fenómenos mais críticos. A NASA e a NOAA afirmam que continuarão a cooperar para fornecer avisos atualizados, permitindo que diferentes setores se preparem para mitigar eventuais danos.
O vídeo da erupção permanece disponível nos canais oficiais da agência espacial, servindo como material de estudo para investigadores que analisam a interação entre atividade solar e clima espacial.





