Ubisoft redefine estrutura interna, cancela remake de Prince of Persia e adia sete jogos

A Ubisoft anunciou nesta quarta-feira (21) uma profunda reestruturação que dividirá a companhia em cinco unidades criativas, fará seis cancelamentos — entre eles o aguardado remake de “Prince of Persia” — e atrasará outros sete títulos ainda em produção. As mudanças começam no início de abril e alteram tanto o organograma quanto as metas financeiras da editora francesa.

Reestruturação em cinco frentes

De acordo com o comunicado, a editora passará a operar por meio de cinco “Casas Criativas”, cada uma dedicada a um conjunto específico de géneros e responsabilidades:

• Vantage Studios: unidade encarregada de franquias de grande porte, como Assassin’s Creed. O estúdio recebeu investimento de 1,16 milhão de euros da chinesa Tencent em novembro e será o principal centro de grandes produções.
• Jogos de tiro multiplayer: divisão voltada a títulos focados em ação competitiva online.
• Serviços ao vivo: grupo especializado em jogos com atualização constante e modelos de receita recorrente.
• Narrativa: núcleo responsável por experiências single-player conduzidas por enredo.
• Casual e família: setor dedicado a jogos de acesso rápido, públicos amplos e alternativas para todas as idades.

Cada casa gerirá o próprio portfólio, cobrindo todas as etapas do ciclo comercial — do desenvolvimento da marca até vendas e pós-lançamento — e controlará seu orçamento. A remuneração das equipas de gestão passa a ser vinculada a métricas mensuráveis, como engajamento dos jogadores e criação de valor.

Cancelamentos e adiamentos

Entre os seis projectos cancelados está o remake de Prince of Persia, anunciado originalmente em 2020. Três dos títulos descartados não tinham sido revelados ao público. A Ubisoft afirmou ainda que sete jogos previstos para chegar ao mercado nos próximos anos foram adiados, mas não divulgou novas datas nem detalhes sobre quais franquias foram afectadas.

Impacto financeiro e projeções

Com a revisão do calendário, a empresa actualizou as estimativas para o exercício que termina em 2026. A nova previsão aponta receita líquida de cerca de 1,5 milhão de euros e prejuízo operacional próximo de 1 milhão de euros. O balanço inclui impacto negativo de 650 milhões de euros relacionado aos cancelamentos e atrasos anunciados.

Antes da reestruturação, a Ubisoft projetava faturamento líquido de 1,9 milhão de euros e equilíbrio no resultado operacional para o mesmo período. Segundo a companhia, o corte de projectos e o adiamento de lançamentos são necessários para concentrar investimentos nas áreas consideradas estratégicas e adequar o portfólio às tendências do mercado.

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Imagem: Internet

Objetivos da nova estratégia

Ao segmentar a produção em grupos temáticos, a Ubisoft pretende acelerar decisões, reduzir sobreposição de equipas e melhorar a coordenação entre marcas. A empresa anunciou que cada divisão terá directores independentes e autonomia para definir prioridades dentro do seu segmento, mantendo relatórios de performance alinhados a metas globais.

A aposta nas cinco casas criativas busca ainda aproveitar a experiência acumulada em géneros específicos. A unidade focada em serviços ao vivo, por exemplo, deverá concentrar esforços em títulos com longo ciclo de vida, enquanto o grupo de narrativa ficará encarregado de assegurar consistência em enredos e personagens.

Próximos passos

A reorganização será implementada gradualmente a partir de abril, com redistribuição de equipas e orçamentos. A Ubisoft não detalhou eventuais reduções de pessoal, mas informou que o realinhamento poderá envolver transferências internas para acomodar as novas estruturas. A companhia seguirá reportando actualizações financeiras e operacionais em relatórios trimestrais.

A editora enfatizou que as franquias já em produção permanecem intactas, à excepção dos projectos oficialmente cancelados. Os jogos adiados continuam em desenvolvimento e terão cronogramas revistos de acordo com as prioridades definidas por cada casa criativa.

Com a reestruturação, a Ubisoft espera posicionar‐se melhor frente à concorrência num mercado cada vez mais exigente em termos de inovação, sustentabilidade de receitas e rapidez de entrega. O êxito da estratégia dependerá do desempenho das novas unidades e da receptividade do público aos futuros lançamentos.

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