UE classifica WhatsApp como plataforma muito grande e impõe regras mais rígidas

NewsUp Brasil

A Comissão Europeia formalizou a inclusão do WhatsApp na lista de plataformas online muito grandes ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais (DSA). A decisão aumenta as responsabilidades do serviço de mensagens da Meta Platforms no combate a conteúdos ilegais e nocivos em todo o espaço comunitário.

Classificação baseada em número de utilizadores

De acordo com os dados submetidos pela Meta, o WhatsApp registou uma média de 51,7 milhões de utilizadores mensais na União Europeia nos primeiros seis meses de 2025. O valor ultrapassa o limiar de 45 milhões definido pela DSA para a designação de Very Large Online Platform (VLOP).

A legislação europeia determina que qualquer serviço enquadrado como VLOP deve adotar mecanismos reforçados de identificação, moderação e remoção de conteúdos ilícitos. A categoria já inclui Facebook e Instagram, também controlados pela Meta, além de YouTube, TikTok, Temu e LinkedIn, entre outros.

Prazo de quatro meses para ajustar políticas

Após a notificação oficial, a Meta dispõe de quatro meses — até meados de maio de 2026 — para demonstrar conformidade com as exigências acrescidas da DSA. O calendário segue o artigo 33.º do regulamento, que estipula prazos fixos para apresentação de relatórios de avaliação de riscos, adoção de medidas de mitigação e criação de sistemas de transparência publicitária.

Entre as obrigações adicionais estão:

  • Mapear e avaliar riscos sistémicos relacionados com desinformação, discurso de ódio e violação de direitos fundamentais;
  • Implementar procedimentos eficazes de remoção de conteúdo ilegal num prazo curto após notificação;
  • Facultar acesso a investigadores independentes para auditorias externas anuais;
  • Garantir transparência sobre algoritmos de recomendação e moderação de mensagens públicas;
  • Oferecer vias de recurso internas e externas aos utilizadores que contestem remoções.

Fiscalização e possíveis sanções

A Comissão Europeia passa a supervisionar diretamente o cumprimento das medidas, apoiada no Centro Europeu para a Transparência Algorítmica. Caso identifique infrações, o órgão poderá aplicar coimas até 6 % da receita global anual da Meta ou exigir alterações operacionais imediatas.

Margrethe Vestager, vice-presidente responsável por Concorrência e Agenda Digital, sublinhou em comunicado que a designação “coloca o WhatsApp sob escrutínio proporcional ao seu alcance” e reforça a proteção dos cidadãos europeus contra abusos online.

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Imagem: NewsUp Brasil

Impacto para utilizadores e mercado

O status de VLOP não altera o acesso ou as funcionalidades do WhatsApp para os consumidores de forma imediata. Contudo, os utilizadores poderão notar mudanças na interface de denúncia de conteúdo, maior clareza sobre políticas de privacidade e mensagens explicativas sobre decisões de moderação.

Para a Meta, o enquadramento representa a necessidade de redirecionar recursos técnicos e humanos para cumprir relatórios trimestrais, auditorias independentes e comunicação contínua com as autoridades de Bruxelas. A empresa confirmou que “trabalhará em estreita colaboração com a Comissão” para atender a todas as exigências dentro do prazo.

Lei dos Serviços Digitais em vigor pleno

A DSA entrou em vigor em novembro de 2022 com o objetivo de criar um espaço digital mais seguro e equitativo. As disposições aplicam-se a todas as plataformas que operam na UE, mas as empresas classificadas como muito grandes enfrentam obrigações mais rigorosas devido ao potencial impacto sobre a sociedade.

Entre os próximos passos previstos, está a publicação pelo WhatsApp de um relatório público detalhando a metodologia de avaliação de risco e as ações de mitigação adotadas. Esse documento deverá ficar disponível no site institucional da Meta e será submetido à análise de especialistas designados pela Comissão.

Com a decisão de hoje, o ecossistema digital europeu avança para uma supervisão mais intensiva das principais plataformas de comunicação, solidificando o papel da DSA como peça central da regulação tecnológica no bloco.

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