A União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre-comércio com o Mercosul e abriu caminho para a maior parceria comercial já firmada pelo bloco sul-americano. Ministros brasileiros, liderados por Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), celebraram a decisão europeia e apontaram impactos positivos para exportações, investimentos e competitividade da economia nacional.
Aprovação na Europa e próximos passos
Durante a manhã em Bruxelas, embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia indicaram apoio à assinatura do tratado. Conforme exigido, ao menos 15 países, que juntos representam 65% da população do bloco, votaram a favor do texto. Cada capital ainda deverá confirmar a posição por escrito até as 17h locais (13h de Brasília).
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a “ampla maioria” obtida e sinalizou que poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para formalizar o acerto com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, integrantes do Mercosul. O documento também terá de ser apreciado pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.
Repercussão no governo brasileiro
Nas redes sociais, o ministro da Fazenda classificou o entendimento como “histórico” e salientou o significado geopolítico do pacto. “Uma nova avenida de cooperação se abre neste momento conturbado, mostrando um caminho de pluralidade e oportunidade”, escreveu Haddad.
Para a ministra do Planejamento, o acordo ampliará o acesso de produtos brasileiros a consumidores europeus, atrairá novos investimentos e poderá contribuir para a redução da inflação. “Combinará crescimento económico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou Tebet em nota oficial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comemorou o resultado, chamando-o de “vitória do diálogo, da negociação e da cooperação entre blocos”. Desde a presidência temporária do Mercosul, no ano anterior, Lula havia definido o tratado como prioridade e participou ativamente das negociações.
Principais termos do acordo
O texto prevê eliminação imediata de tarifas sobre máquinas, equipamentos de transporte e peças industriais, como motores de pistão, geradores para energia elétrica e aviões — setores considerados estratégicos para a inserção competitiva do Brasil em cadeias globais de valor.
Também haverá abertura para couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e diversos produtos químicos. Para várias commodities, o pacto estabelece redução gradual das tarifas até sua completa extinção, dentro de cotas anuais negociadas entre os blocos.
Imagem: Últimas Notícias
Impactos esperados para o Brasil
Segundo o Ministério da Fazenda, a redução de barreiras tarifárias tende a baratear insumos importados, estimular a modernização industrial e aumentar a presença de bens brasileiros no mercado europeu, que reúne mais de 440 milhões de consumidores. Para o agronegócio, o acesso ampliado pode gerar ganhos de escala e reforçar a competitividade global das commodities do país.
Do lado macroeconómico, a equipe econômica avalia que o incremento da oferta de produtos externos favorecerá a concorrência interna e poderá aliviar pressões sobre preços, contribuindo para a convergência da inflação às metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Trâmites legislativos e cenário internacional
Com a chancela dos governos europeus, o acordo será enviado ao Parlamento Europeu, onde precisará de maioria simples para aprovação. No Mercosul, cada Congresso nacional emitirá seu próprio parecer. Caso todos concluam a ratificação, o tratado entrará em vigor em data a ser definida pelos parceiros.
Analistas internacionais observam que a conclusão do processo representará o maior pacto comercial firmado pela União Europeia desde o Brexit e significará uma resposta aos movimentos protecionistas vistos em diferentes regiões. Para o Mercosul, trata-se da primeira negociação de grande escala com um bloco de economias avançadas.
Embora ainda dependente dos ritos legislativos, a aprovação desta sexta-feira reforçou expectativas de integração econômica entre América do Sul e Europa. Segundo o governo brasileiro, a abertura de novos mercados e a atração de capitais externos poderão alavancar investimentos em infraestrutura, inovação e transição energética nos próximos anos.





