O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou um manual com dez recomendações destinadas a pais e cuidadores que desejam orientar o uso da internet por crianças e adolescentes. Elaborado com a colaboração da psicóloga Jacqueline Nesi, especialista em parentalidade digital e professora assistente na Universidade Brown, o documento reúne orientações práticas para equilibrar oportunidades e riscos do universo online.
Dez recomendações para famílias
1. Diálogo constante e precoce – A UNICEF sugere iniciar conversas sobre tecnologia desde cedo. Pais devem abordar o papel dos dispositivos na rotina familiar e incentivar os filhos a compartilhar experiências online.
2. Perguntas sobre hábitos digitais – Assim como se pergunta sobre a escola ou os amigos, recomenda-se questionar as crianças sobre o que fazem, do que gostam e com que frequência utilizam smartphones, computadores ou tablets.
3. Discussão franca sobre riscos – O guia incentiva a tratar abertamente temas como conteúdos impróprios, cyberbullying e exposição de dados pessoais. Segundo a especialista, deixar claro que os filhos podem procurar ajuda em situações difíceis aumenta a confiança mútua.
4. Regras de comportamento – Definir o que é permitido ou proibido online ajuda a estabelecer limites claros. Entre os exemplos estão não praticar bullying, não divulgar informações sensíveis e respeitar outros utilizadores.
5. Zonas e horários livres de tecnologia – Reservar momentos sem telas, especialmente antes de dormir, contribui para a qualidade do sono e para outras atividades essenciais, como estudo e convívio presencial.
6. Controle de conteúdo – A UNICEF recomenda que crianças e adolescentes solicitem autorização antes de instalar novos aplicativos ou ingressar em plataformas. Ferramentas de controle parental podem auxiliar na filtragem de conteúdo e no tempo de uso.
7. Exploração conjunta – Pais são orientados a assistir a vídeos, jogar ou navegar na internet junto com os filhos. Essa prática favorece o aprendizado mútuo e permite observar interesses, desafios e oportunidades.
Imagem: Unsplash/Finn
8. Monitorização gradual – Para menores que acabam de receber um dispositivo, o acompanhamento deve ser mais próximo. Com o amadurecimento, é possível ampliar a autonomia, mantendo sempre a supervisão adequada à idade.
9. Modelo de comportamento – Adultos são convidados a refletir sobre o próprio uso de tecnologia. Demonstrar hábitos equilibrados e estabelecer regras em conjunto reduz conflitos e reforça o senso de responsabilidade compartilhada.
10. Uso criativo e divertido – O guia destaca que a tecnologia também pode promover momentos positivos. Jogos, vídeos educativos e aplicações para hobbies estimulam a interação familiar e o desenvolvimento de competências.
Participação ativa dos pais
Jacqueline Nesi sublinha que a reação dos adultos quando as crianças relatam problemas online é decisiva. Agradecer pelo relato, em vez de repreender imediatamente, aumenta a probabilidade de que a criança volte a buscar apoio em futuras dificuldades. A psicóloga destaca ainda que nem todo comportamento preocupante se explica apenas pela tecnologia; muitas vezes, questões como insegurança na escola ou pressões sociais refletem-se no tempo excessivo diante das telas.
Outro ponto enfatizado é a importância de regras de “sim” e “não”. As primeiras englobam atitudes desejadas, como respeito e cidadania digital; as segundas delimitam ações proibidas, como divulgação de dados pessoais ou acesso a conteúdos inadequados. Estabelecer essas orientações de forma conjunta fortalece a noção de responsabilidade e facilita a aplicação de consequências quando necessário.
Equilíbrio entre riscos e oportunidades
Para a UNICEF, a internet oferece oportunidades de aprendizagem, socialização e entretenimento, mas requer vigilância. O guia procura equipar famílias com ferramentas práticas, reforçando que a segurança online é resultado de diálogo aberto, regras claras e participação constante dos adultos. Ao adotar as dez recomendações, pais e cuidadores podem promover um ambiente digital mais seguro e favorável ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.






