Vitória Miranda, de 18 anos, foi eleita Jogadora Júnior do Ano pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e tornou-se a primeira brasileira a receber a distinção criada em 2020. A mineira de Belo Horizonte encerrou a temporada 2025 com resultados expressivos em torneios juvenis e adultos, somando títulos em Grand Slams, Parapan de Jovens e eventos do circuito Future Series.
Campanha impecável em Grand Slams e Parapan
Ao longo de 2025, Miranda conquistou dez troféus de simples e oito de duplas na categoria júnior. Os destaques vieram nos principais palcos do ténis mundial: no Aberto da Austrália e em Roland Garros, a atleta venceu tanto a chave de simples quanto a de duplas, alcançando a chamada “dobradinha” juvenil em dois Grand Slams.
Em abril, a brasileira ampliou o currículo com duas medalhas de ouro no Parapan de Jovens, disputado em Santiago, no Chile. Ela saiu vencedora em simples e também em duplas mistas, ao lado do compatriota Luiz Calixto. Os resultados confirmaram o favoritismo que já vinha sendo construído desde a base.
Ascensão no ranking adulto e títulos na Future Series
Paralelamente à trajetória júnior, Vitória Miranda testou-se no circuito profissional de cadeira de rodas. A juvenil participou de torneios Future Series e terminou o ano entre as 20 melhores do ranking adulto, resultado impulsionado por quatro conquistas de simples:
- São Paulo (SP)
- Uberlândia (MG)
- Caldas Novas (GO)
- Barranquilla (Colômbia)
Esses resultados evidenciaram a rápida adaptação às chaves principais, cenário que costuma exigir maior experiência dos atletas. O desempenho técnico somou-se aos feitos na categoria de base e contribuiu para o reconhecimento internacional.
Critérios do prêmio e impacto fora das quadras
Ao anunciar a premiação, a ITF destacou não apenas os resultados desportivos, mas também o trabalho de Vitória Miranda em ações comunitárias. A tenista ministra palestras motivacionais em escolas e eventos, compartilhando a própria trajetória e defendendo acessibilidade, perseverança e inclusão. Segundo a federação, essa atuação “inspira outras pessoas a acreditarem no desporto como ferramenta de transformação”.
Imagem: Últimas Notícias
Miranda já havia sido agraciada em dezembro com o troféu de melhor atleta do ténis na cerimónia anual do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), realizada em São Paulo. O reconhecimento nacional e agora internacional reforça o momento de projeção da atleta, que conclui o ciclo juvenil com visibilidade crescente.
Panorama internacional e vencedor masculino
Na categoria masculina, o prémio Júnior do Ano ficou com o australiano Jim Woodman, de 16 anos, que saltou da 20.ª para a 8.ª posição do ranking de simples em 2025. A escolha seguiu o mesmo critério que combina desempenho competitivo e contribuição para o desenvolvimento do ténis em cadeira de rodas.
Com a nomeação de Vitória Miranda, o Brasil passa a figurar entre os países reconhecidos pela ITF na formação de novos talentos da modalidade. A jogadora encerra o ciclo júnior com meta declarada de consolidar-se no top 10 profissional e disputar medalhas em Paralimpíadas futuras.
A temporada 2026 começa já com pontos em disputa no circuito adulto, onde Miranda pretende ampliar o calendário internacional. O bom desempenho recente e o prémio inédito reforçam a expectativa de mais protagonismo brasileiro nas principais competições de ténis em cadeira de rodas.





