A Warner Bros. Discovery confirmou ter recusado a oferta revista da Paramount Skydance e anunciou que seguirá adiante com o acordo avaliado em quase US$ 83 mil milhões firmado anteriormente com a Netflix. A decisão foi formalizada em carta divulgada na manhã de quarta-feira, 18 de dezembro de 2025, após avaliação unânime do conselho de administração.
Conselho rejeita condições da Paramount
A proposta mais recente apresentada por David Ellison, da Paramount Skydance, incluía aumento da multa de rescisão para US$ 5,8 mil milhões, igualando o valor previsto no contrato com a Netflix, e estendia o prazo para a conclusão da transação até o fim de janeiro. Mesmo com esses ajustes, os conselheiros da Warner Bros. Discovery consideraram a oferta insuficiente.
Em comunicado, o órgão colegiado afirmou que a proposta “continua inadequada, sobretudo pelo valor econômico reduzido, pela incerteza de execução e pelos riscos que recairiam sobre os acionistas caso a Paramount Skydance não conseguisse concluir a operação”. O grupo também mencionou eventuais custos processuais e operacionais decorrentes de um cenário de frustração do negócio.
Garantias financeiras não convencem
Antes da recusa, a Paramount revisitara seus termos duas vezes. Na revisão mais recente, a empresa incluiu garantia pessoal de financiamento de capital próprio de US$ 40,4 mil milhões por parte do bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle e controlador da Paramount ao lado do filho, David Ellison. Mesmo assim, a Warner Bros. Discovery avaliou que o pacote de garantias não eliminava as dúvidas sobre a viabilidade do fechamento.
A divergência também envolve a possível abertura de litígio. Conforme noticiado pelo New York Post, a Paramount estaria a considerar ação judicial caso sua proposta fosse rejeitada, cenário que adicionaria novos riscos regulatórios e financeiros. O temor de prolongar disputas legais pesou na análise do conselho, que decidiu preservar o cronograma já estabelecido com a Netflix.
Entenda o acordo com a Netflix
O entendimento entre Warner Bros. Discovery e Netflix foi anunciado em 8 de dezembro. Na ocasião, a Warner aceitou vender o estúdio e os negócios de streaming à plataforma por US$ 83 mil milhões. Três dias depois, a Paramount apresentou uma oferta inicial de US$ 30 por ação, valor que disparou uma sequência de contrapropostas.
Para a Warner, o acordo com a Netflix oferece maior previsibilidade de aprovação regulatória, dado o foco em ativos específicos de produção e distribuição de conteúdo. A Netflix, por sua vez, expande o catálogo e reforça a estrutura de produção de filmes e séries com a marca reconhecida da Warner, numa tentativa de sustentar o crescimento num mercado de streaming cada vez mais competitivo.
Visita de executivos da Netflix sublinha parceria
Em meio às negociações, os co-CEOs da Netflix realizaram uma visita aos estúdios da Warner em Los Angeles, acompanhados pelo presidente-executivo da Warner Bros. Discovery, David Zaslav. O tour teve objetivo simbólico de demonstrar respeito à tradição cinematográfica da companhia fundada há mais de 100 anos e de sinalizar comprometimento com a manutenção do legado artístico do estúdio.
Imagem: Internet
Fontes próximas às empresas relatam que a integração operacional já está em fase preliminar, com grupos de trabalho analisando sinergias em áreas como pós-produção, licenciamento internacional e distribuição física. Detalhes sobre novos lançamentos ou reorganização de linhas de produção ainda não foram divulgados.
Próximos passos
A conclusão da transação com a Netflix depende agora de aprovações regulatórias nos Estados Unidos e em mercados onde ambas as companhias atuam, incluindo União Europeia e América Latina. Caso as autoridades antitruste deem sinal verde, a expectativa é de que o negócio seja concluído ao longo do segundo semestre de 2026.
Enquanto isso, a Warner Bros. Discovery continuará a operar como entidade independente. O portfólio inclui franquias como “Harry Potter”, “Batman” e “Game of Thrones”. Na estrutura anunciada, esses ativos passarão para o controle da Netflix após o fechamento, mantendo os compromissos já assumidos com salas de cinema, redes de TV e plataformas parceiras.
Procurada para comentar o futuro, a Paramount Skydance não se pronunciou sobre novas investidas. Analistas de mercado avaliam que a empresa poderá redirecionar recursos para aquisições menores ou buscar alianças estratégicas em produção e distribuição, numa tentativa de ampliar presença sem recorrer a fusões de grande porte.
Com a decisão, a Warner Bros. Discovery aposta na estabilidade proporcionada pelo acordo com a Netflix e encerra, pelo menos por ora, o capítulo de negociações paralelas que marcou o último trimestre de 2025.





