A Waymo, divisão da Alphabet dedicada a veículos autônomos, anunciou que pretende iniciar operações de táxis sem motorista em Londres até o final de 2024. A informação foi apresentada por Ben Loewenstein, chefe de políticas e assuntos governamentais da empresa para o Reino Unido e Europa, durante uma reunião na capital britânica.
Meta antecipada em dois anos
O novo cronograma representa uma antecipação significativa em relação à previsão anterior, que apontava 2026 como data-alvo. Segundo Loewenstein, a decisão de acelerar os planos resulta do avanço tecnológico alcançado nos Estados Unidos e do diálogo mantido com autoridades britânicas sobre requisitos de segurança e padrões regulatórios.
Nos EUA, a Waymo tem expandido gradualmente seus serviços apesar de enfrentar regulamentação rigorosa e custos elevados de desenvolvimento. Essa trajetória, considerada consistente pelos executivos da companhia, fortaleceu a confiança na viabilidade de levar a frota autônoma para outras regiões.
Ambiente regulatório em construção
O governo do Reino Unido trabalha na criação de uma estrutura legal específica para veículos sem motorista. De acordo com o Executivo britânico, o objetivo é garantir a implementação segura nas estradas enquanto se estimula a inovação no setor. Estimativas oficiais indicam que a indústria de condução autônoma pode gerar 38 mil empregos e movimentar até 42 mil milhões de libras (cerca de 57,9 mil milhões de dólares) até 2035.
A aposta em transporte inteligente faz parte da estratégia nacional para posicionar o país entre os líderes mundiais em tecnologias de mobilidade. A definição de normas claras é vista como passo indispensável para que empresas como a Waymo realizem testes e operações comerciais em grande escala.
Concorrência ganha força
Além da Waymo, outros projetos de condução autônoma planeiam estrear na capital britânica ainda em 2024. A Wayve, startup apoiada pela Uber, também pretende lançar um serviço semelhante em Londres. A entrada simultânea de diferentes operadores pode acelerar a adoção do modelo e ampliar a oferta de transporte sustentável.
Especialistas do setor acompanham com atenção o impacto da chegada dessas frotas sobre a mobilidade urbana. O uso de veículos sem motorista promete reduzir custos operacionais e minimizar falhas humanas, mas exige infraestrutura compatível, incluindo sistemas de comunicação de baixa latência e gestão eficiente de dados de trânsito.
Próximos passos da Waymo
A companhia norte-americana deverá iniciar em breve a fase de testes públicos nas ruas londrinas, procedimento já adotado em cidades dos Estados Unidos. Essa etapa inclui trajetos com passageiro a bordo e acompanhamento remoto de técnicos, obedecendo aos requisitos das autoridades locais.
Imagem: Tecnologia & Inovação
Loewenstein adiantou que o diálogo com o governo e com órgãos reguladores permanece ativo. Questões como seguro, responsabilidade civil e integração com o sistema de transporte existente estão em pauta. A Waymo não divulgou o número inicial de veículos nem as áreas específicas de operação, mas afirmou que os detalhes serão apresentados “nos próximos meses” conforme as autorizações forem emitidas.
O que representa para o mercado
A decisão de levar a tecnologia à Europa reforça o posicionamento global da Waymo no segmento de mobilidade autônoma. A presença em Londres — um dos maiores centros financeiros e turísticos do mundo — tende a servir de vitrine para a expansão a outras cidades europeias, dependendo do desempenho operacional e da aceitação pública.
Ao antecipar o lançamento, a empresa demonstra confiança na evolução do software de condução, na robustez dos sensores e no sistema de mapeamento de alta resolução que sustenta o serviço. Caso alcance metas de segurança e fiabilidade, a Waymo poderá influenciar políticas de transporte e fomentar investimentos adicionais em infraestrutura inteligente.
Para os consumidores, a chegada dos táxis autônomos promete ampliar opções de deslocamento e potencialmente reduzir tempos de espera, embora tarifas e modalidades de pagamento ainda não tenham sido definidas. A experiência norte-americana mostra que o modelo tende a operar inicialmente em áreas delimitadas, expandindo a cobertura de maneira gradual.
Com o plano agora oficializado, Londres aguarda a estreia de uma frota que poderá redefinir o conceito de transporte urbano e servir de referência para outras metrópoles europeias interessadas em adotar veículos sem motorista.





