O WhatsApp definiu 2026 como o ano em que passará a mostrar publicidade dentro do aplicativo. Informações extraídas da versão beta mais recente para Android indicam como a mudança será implementada e que tipo de alternativa paga estará disponível para quem preferir continuar sem anúncios.
Anúncios limitados a Status e Canais
Segundo dados obtidos pelo site WABetaInfo, os anúncios aparecerão exclusivamente nas abas de Status e Canais. Conversas individuais, chamadas de voz, videochamadas e grupos permanecerão livres de inserções comerciais. A segmentação da publicidade utilizará critérios como idioma, localização aproximada e interações realizadas nessas duas áreas, sem recorrer ao conteúdo das mensagens trocadas pelos utilizadores.
A Meta, proprietária do WhatsApp, esclarece que não serão utilizados dados de texto, áudio ou vídeo para direcionar as campanhas. As chaves de criptografia continuam armazenadas apenas nos dispositivos dos utilizadores, mantendo-se o protocolo de ponta a ponta adotado pela plataforma desde 2016.
Assinatura mensal disponível na União Europeia
Para quem preferir remover as futuras publicidades, o aplicativo deverá oferecer uma assinatura mensal. Imagens em desenvolvimento apontam para um custo inicial de €4, valor que poderá variar consoante o país. A subscrição será lançada primeiro nos Estados-Membros da União Europeia e no Reino Unido, sem confirmação sobre expansão para outros mercados.
A oferta paga abrangerá apenas a retirada dos anúncios em Status e Canais, não incluindo funcionalidades extras. O preço final, formas de pagamento e data exata de lançamento serão divulgados mais perto da implementação, informou a empresa.
Polêmica sobre segurança reacende debate
O anúncio da publicidade ocorre num momento em que o WhatsApp enfrenta novas acusações relacionadas à proteção de dados. Nesta semana, Elon Musk escreveu na rede X que o serviço “não é seguro”, sugerindo que a Meta seria capaz de contornar a criptografia para ler mensagens de utilizadores.
Will Cathcart, responsável pelo WhatsApp na Meta, repudiou publicamente a alegação. O executivo sublinhou que o aplicativo “não consegue ler as mensagens” porque as chaves criptográficas ficam guardadas nos aparelhos dos próprios utilizadores, impedindo o acesso por parte dos servidores da companhia. Cathcart também lembrou que a contestação judicial que originou a acusação foi apresentada pelo mesmo escritório que já defendeu a NSO Group, empresa ligada ao software espião Pegasus.
Imagem: Internet
A publicação de Musk motivou comparações entre o WhatsApp, o Signal e o recém-anunciado X Chat. Notas de comunidade no próprio X destacaram que o serviço de Musk não dispõe de sigilo de encaminhamento, enquanto mensageiros como o Signal aplicam chaves exclusivas por dispositivo. Já Pavel Durov, fundador do Telegram, aproveitou o debate para declarar que não confia na segurança do aplicativo da Meta, alegando ter identificado “múltiplos vetores de ataque” na implementação de sua criptografia.
Os autores da ação judicial pretendem transformá-la em processo coletivo que abrangeria os mais de dois mil milhões de utilizadores do WhatsApp. A Meta classificou as acusações como “categoricamente falsas” e adiantou que responderá em tribunal.
Estratégia de assinaturas premium alcança outras redes
Além do plano específico para o WhatsApp, a Meta estuda oferecer assinaturas com recursos diferenciados no Facebook e no Instagram. Detalhes sobre funcionalidades ou preços dessas versões premium ainda não foram anunciados, mas a empresa confirmou que as propostas estão em avaliação.
A diversificação de receitas por meio de publicidade no mensageiro e de serviços pagos nas demais plataformas ocorre enquanto a Meta enfrenta processos nos Estados Unidos que alegam acesso indevido a mensagens. A companhia mantém a posição de que não tem qualquer visibilidade sobre o conteúdo cifrado.
A introdução de anúncios e a opção de assinatura marcam a primeira mudança significativa no modelo de negócios do WhatsApp desde a sua aquisição pela Meta em 2014. Com mais de dois mil milhões de utilizadores globais, o serviço busca equilibrar a geração de receita com a promessa de manter as comunicações privadas protegidas por criptografia.





