Conectar-se ao Wi-Fi do hotel continua a ser a solução mais comum para quem viaja a trabalho ou lazer e deseja poupar o plano de dados móveis. No entanto, especialistas em segurança digital alertam que esse acesso gratuito pode expor informações sensíveis dos hóspedes devido a falhas frequentes de configuração, equipamentos desatualizados e ausência de autenticação robusta.
Equipamentos antigos e barreiras frágeis facilitam ataques
Segundo profissionais da área, muitas redes de hotel operam com roteadores sem manutenção adequada ou com firmware desatualizado. Em vários casos, o sinal é liberado sem qualquer senha, permitindo que qualquer pessoa se conecte. Mesmo quando há um processo de login baseado no número do quarto ou endereço de e-mail, o mecanismo não impede que criminosos monitorem o tráfego na mesma rede.
Esse cenário amplia a superfície de ataque para interceptação de dados. Hackers presentes no local podem capturar credenciais, mensagens, fotos e outras informações trocadas no dispositivo da vítima. Outro método recorrente envolve a criação de pontos de acesso falsos com nomes muito semelhantes ao da rede legítima do hotel, estratégia conhecida como evil twin. Dessa forma, o usuário conecta-se ao hotspot malicioso acreditando estar em ambiente seguro.
Interceção de tráfego e instalação de malware
Com ferramentas de fácil acesso, atacantes conseguem observar o conteúdo não criptografado que circula pelo Wi-Fi. Protocolos antiquados ou sites sem HTTPS favorecem a visualização de senhas e demais dados de login. Além disso, o invasor pode inserir software malicioso no fluxo de navegação, executando downloads automáticos ou redirecionando a vítima para páginas fraudulentas.
O impacto dessas ações vai além do dispositivo comprometido. Uma vez obtidas as credenciais, o criminoso pode usá-las posteriormente para acessar serviços bancários, contas de e-mail ou redes sociais, mesmo depois de o viajante ter deixado o hotel.
Práticas recomendadas para reduzir o risco
Caso não exista alternativa a recorrer ao Wi-Fi do hotel, os especialistas sugerem medidas preventivas básicas:
Confirmar a rede oficial. Antes de se conectar, o hóspede deve perguntar na recepção o nome exato do ponto de acesso. Essa simples verificação ajuda a evitar armadilhas de redes clonadas.
Usar VPN paga. Serviços pagos oferecem criptografia mais robusta e políticas transparentes de privacidade, dificultando a análise de tráfego por terceiros. Soluções gratuitas tendem a exibir anúncios, registrar dados ou aplicar limites de velocidade, reduzindo a segurança.
Imagem: Internet
Manter antivírus e sistema atualizados. Actualizações constantes corrigem vulnerabilidades conhecidas e reforçam a detecção de malware. Dispositivos sem patches são alvos fáceis para exploits circulantes na rede.
Limitar atividades sensíveis. Operações que exigem autenticação, como internet banking, compras online ou acesso a e-mails corporativos, devem ser evitadas. O ideal é reservar o Wi-Fi do hotel para navegação pública, consulta de mapas ou leitura de notícias.
Desativar conexão automática. Em smartphones e portáteis, é recomendável desligar a opção que reconecta a redes conhecidas sem aviso. Isso reduz a chance de o equipamento associar-se a hotspots fraudulentos durante a viagem.
Custos ocultos da comodidade gratuita
Apesar da praticidade, confiar exclusivamente no Wi-Fi do hotel pode resultar em prejuízos financeiros e vazamento de dados pessoais. Uma eventual captura de credenciais pode levar semanas ou meses para ser identificada, permitindo movimentos silenciosos na conta da vítima. Em ambiente corporativo, o risco estende-se a documentos confidenciais e informações estratégicas da empresa.
Para quem viaja com frequência, considerar um plano internacional de dados ou um roteador portátil 4G/5G pode representar investimento menor do que as perdas causadas por um ataque. Ainda assim, a conscientização sobre os perigos de redes públicas e a adoção de boas práticas continuam a ser as defesas mais eficazes.





