Seda compactada desafia fibra de carbono e promete acelerar redes 6G

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Uma técnica que utiliza apenas calor e pressão converte fibras tradicionais de seda em um bloco sólido de elevada resistência mecânica, capaz de rivalizar com compósitos de fibra de carbono e superar materiais naturais como madeira e ossos. O processo, desenvolvido por investigadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, elimina etapas químicas, reduz custos e abre caminho para aplicações em medicina e telecomunicações de próxima geração.

Processamento direto preserva a estrutura natural

No método convencional, a seda é dissolvida em água e reagentes para depois ser remodelada, prática que fragiliza a fibroína — proteína que confere resistência às fibras. A nova abordagem descartou a dissolução. As fibras comerciais extraídas de casulos de Bombyx mori passam primeiro por um banho de carbonato de sódio para remoção da sericina, proteína que age como cola natural. Em seguida, são alinhadas e submetidas a prensagem a quente.

Durante o aquecimento, as regiões amorfas da fibroína tornam-se móveis e fundem fibras vizinhas, enquanto as zonas cristalinas permanecem intactas. Esse equilíbrio entre fusão e rigidez gera um material denso, com tenacidade comparável à de compósitos sintéticos avançados. A resistência final é controlada pela temperatura — entre 125 °C e 215 °C — e pela pressão, que varia de 1 900 a 9 800 atmosferas.

Desempenho mecânico e controlo da degradação

Testes balísticos mostraram que a seda compactada absorve impacto melhor do que polímeros reforçados com fibra de carbono. A estrutura resultante exibe organização hierárquica semelhante à da madeira: feixes paralelos ligados por uma matriz que distribui a tensão. Ajustando temperatura e pressão, os investigadores alteram a densidade do bloco, personalizando tanto a resistência quanto a velocidade de degradação.

Versões menos densas permitem infiltração celular gradual, requisito para engenharia de tecidos e implantes que precisam ser reabsorvidos. Estruturas mais compactas mantêm estabilidade prolongada, adequadas a placas, pinos e parafusos ortopédicos que exigem suporte mecânico duradouro. Segundo o professor Chunmei Li, líder do estudo, a combinação de alta tenacidade, ausência de toxinas e biodegradabilidade coloca o material como candidato a substituir metais em cirurgias.

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Propriedades ópticas viabilizam uso em 6G

Além da robustez, a seda compactada apresenta transparência à luz visível e capacidade inédita de polarizar radiação na faixa de terahertz, característica cobiçada para antenas e componentes de redes 6G. Ao girar a luz nessas frequências, o material pode facilitar transmissões centenas de vezes mais rápidas que o 5G atual. O professor Nick Kotov, da Universidade do Michigan, afirma que poucos compostos biológicos conseguem oferecer baixa absorção e atividade óptica simultaneamente nessa banda.

Próximos passos e impacto ambiental

A equipa trabalha agora na ampliação do processo para formatos maiores e geometrias complexas. Estudos de ciclo de vida pretendem quantificar a economia de energia e a redução de resíduos ao evitar solventes e aditivos sintéticos. Os investigadores procuram ainda parcerias industriais para integrar a seda fundida em sensores, dispositivos médicos e componentes de comunicação.

Se a produção em escala confirmar os resultados de laboratório, a técnica poderá oferecer uma rota sustentável para criar materiais de alto desempenho com base em uma fonte renovável e amplamente disponível. A seda, utilizada há milénios em têxteis, pode assim ganhar protagonismo em setores de alta tecnologia, da ortopedia às telecomunicações de ultrabaixa latência.

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