Dissipador de cobre otimizado reduz consumo de energia em data centers

Tecnologia aplicada ao cotidiano

Investigadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, desenvolveram um dissipador de calor em cobre cujo formato foi definido por algoritmos de otimização topológica. O novo desenho aumenta a eficiência de remoção de calor em até 32% e pode diminuir em 68% a pressão necessária para bombear líquido de arrefecimento, segundo medições laboratoriais.

Desenho matematicamente otimizado eleva desempenho térmico

Na refrigeração tradicional de processadores, placas metálicas planas conduzem o calor do chip até um fluido, enquanto ventoinhas ou radiadores expulsam essa energia para o ambiente. Para ampliar a troca térmica, as superfícies costumam receber aletas retangulares simples. Contudo, formatos convencionais não exploram todo o potencial de contacto entre metal e líquido.

Para superar essa limitação, a equipa liderada por Behnood Bazmi recorreu à otimização topológica, técnica que altera gradualmente a geometria de um objeto até encontrar a configuração mais eficiente para determinado objetivo. O algoritmo iniciou com aletas retangulares básicas e, em cada iteração, avaliou dois critérios: capacidade de resfriamento e potência de bombeamento exigida pelo sistema. O processo gerou estruturas complexas, com pontas afiadas e bordas irregulares que lembram folhas de samambaia.

Testes comparativos demonstraram que o dissipador otimizado extrai até um terço mais calor do líquido de arrefecimento enquanto reduz drasticamente a perda de carga hidráulica. Esse duplo ganho traduz-se em menor consumo energético para manter a temperatura de chips de alto desempenho.

Manufatura aditiva viabiliza cobre puro em geometrias complexas

Embora o cobre seja mais eficiente que alumínio ou aço inoxidável na condução de calor, a fabricação de geometrias intrincadas nesse metal enfrenta limitações técnicas e de custo. Para contornar o desafio, os investigadores empregaram manufatura aditiva eletroquímica, processo que deposita camadas de cobre puro sem necessidade de fusão. O método permite criar superfícies detalhadas com precisão micrométrica, reduzindo etapas de usinagem e desperdício de material.

Segundo a equipa, a estratégia acelera a transição do protótipo para aplicações comerciais, pois o mesmo fluxo de trabalho de otimização pode ser repetido em diferentes escalas e líquidos refrigerantes. A abordagem abre caminho para dissipadores personalizados conforme a potência térmica de cada componente eletrónico.

Dissipador de cobre otimizado reduz consumo de energia em data centers - TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Imagem: TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Impacto potencial em infraestruturas de grande escala

Um data center com 1 gigawatt (GW) de potência computacional consome hoje cerca de 550 megawatts (MW) apenas para operar o seu sistema de arrefecimento a ar, elevando o gasto total para 1,55 GW. De acordo com Bazmi, a adoção dos dissipadores otimizados permitiria reduzir a necessidade de energia de refrigeração para 11 MW, mantendo o mesmo nível de desempenho térmico. A economia resultante teria impacto directo nas despesas operacionais e na pegada de carbono dessas instalações.

Além de servidores, a tecnologia pode beneficiar dispositivos menores, como placas gráficas, unidades de processamento dedicadas a inteligência artificial e até equipamentos não eletrónicos que requeiram trocas térmicas eficientes. Como o método de otimização baseia-se em objetivos de engenharia, basta ajustar os parâmetros para outras combinações de fluido, temperatura ou caudal.

Próximos passos e desafios de adoção

Apesar dos ganhos apontados, a difusão da inovação depende da capacidade de produção em escala da manufatura aditiva em cobre e do custo final do componente. A equipa trabalha agora na validação de protótipos maiores e na análise de durabilidade em ciclos térmicos prolongados, fatores decisivos para setores que exigem elevada fiabilidade operacional.

Se os resultados forem confirmados em ambiente industrial, o dissipador otimizado poderá estabelecer um novo padrão de eficiência térmica, reduzindo tanto o consumo energético quanto a emissão de calor residual em infraestruturas críticas.

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