ONU institui Dia Mundial do Futebol e destaca força do esporte para inclusão global

Educação e Tecnologia

As Nações Unidas celebraram em 25 de maio o primeiro Dia Mundial do Futebol, data oficializada este ano por resolução da Assembleia Geral. O documento reconhece a modalidade como fator de integração social, promotora de saúde e apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A escolha do dia lembra os 100 anos do primeiro torneio internacional com representação global, disputado durante os Jogos Olímpicos de Paris em 1924, considerado marco inicial do caminho que levaria à criação da atual Copa do Mundo.

Resolução da ONU cria o Dia Mundial do Futebol

Aprovada em 2024 por consenso, a resolução exalta o alcance universal do futebol e incentiva governos, organizações não governamentais e setor privado a adotarem iniciativas que usem o esporte como ferramenta de paz, igualdade de género e bem-estar. O texto salienta o potencial da bola para derrubar barreiras culturais, económicas e linguísticas, gerar cooperação entre povos e estimular hábitos saudáveis em todas as faixas etárias.

O documento também cita o papel da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e das federações nacionais na manutenção da modalidade, convidando-as a ampliar programas de desenvolvimento. Estados-membros são encorajados a criar políticas públicas que garantam acesso democrático a campos, equipamentos e projetos de base, com atenção especial a mulheres e meninas.

Testemunhos revelam impacto social do esporte

Durante as comemorações, atletas, dirigentes e voluntários compartilharam experiências que ilustram a força integradora do futebol. Joshua Nascimento, filho de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, afirmou que o jogo “conecta pessoas de diferentes culturas e línguas” e cria espaço comum para lazer ou competição em alto nível. Para ele, o beautiful game permanece um idioma universal capaz de unir comunidades em torno de um objectivo coletivo simples: jogar bola.

No âmbito da organização do Mundial de 2026, previsto para Estados Unidos, Canadá e México, o português Nuno Crisóstomo lidera a equipa de voluntários da FIFA em solo norte-americano. Ele realça a presença crescente dos falantes de português no cenário internacional: “Hoje, o português é a segunda língua global do futebol, atrás apenas do inglês, não só pelo número de jogadores brasileiros e portugueses, mas também pela quantidade de treinadores. Contabilizamos cerca de 136 técnicos portugueses atuando no exterior”.

Património cultural e educação esportiva

No Brasil, o Museu do Futebol, localizado no Estádio do Pacaembu em São Paulo, reforça a dimensão histórica da modalidade. A diretora técnica, Marília Bonas, define o espaço inaugurado em 2008 como narrativa da própria identidade nacional: “Contamos a história do país por meio do futebol, desde o fim do século XIX até hoje, incluindo a trajetória feminina, modalidades adaptadas e o futebol indígena”. O museu funciona de terça a domingo, com entrada gratuita às terças-feiras, e disponibiliza material educativo online para escolas e pesquisadores.

Além de preservar a memória, a instituição oferece programação cultural e exposições temporárias, ampliando o debate sobre diversidade e inclusão. A iniciativa exemplifica o chamado da ONU para que espaços esportivos atuem como plataformas de educação, cidadania e igualdade.

Programas de campo e diplomacia esportiva

Em Nova Iorque, diplomatas trocaram paletós por chuteiras numa partida batizada de “Amigos do Futebol”, que reuniu embaixadores, funcionários do Secretariado e estrelas convidadas. O evento integrou a agenda oficial do Dia Mundial do Futebol e simbolizou o uso do esporte como canal de diplomacia informal. Outra ação levou a campo a “Seleção de Refugiados”, organizada pelo projeto Futebol sem Fronteiras, para mostrar como a modalidade pode estruturar rotinas, oferecer apoio psicológico e facilitar a integração de pessoas deslocadas por conflito ou perseguição.

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Imagem: ilustrativa

Alinhada às mesmas metas, a resolução da ONU recomenda que universidades, clubes e empresas disseminem práticas esportivas em comunidades carentes, promovam torneios mistos e adotem políticas de igualdade salarial nas categorias femininas. Segundo o texto, a bola deve ser vista não apenas como entretenimento, mas como instrumento estratégico para reduzir desigualdades e fomentar valores de respeito mútuo.

Expectativa para a Copa do Mundo de 2026

Nos Estados Unidos, a contagem regressiva para o Mundial de 2026 já mobiliza voluntários e treinadores. Em Newark, região com forte presença de lusófonos, Christopher Nassif comanda as equipas Sub-17 e Sub-19 do Ironbound FC. O técnico credita ao esporte parte essencial da sua formação: “Se eu pudesse agradecer ao futebol, diria que ele me tornou melhor pai, marido e cidadão. É possível amar o jogo na arquibancada, no quintal ou na carreira profissional; todas as formas são válidas”.

De acordo com o calendário preliminar, o torneio começa em 11 de junho de 2026, e a primeira partida envolvendo um país de língua portuguesa está marcada para 13 de junho, em Newark, entre Brasil e Marrocos. A arena deverá receber torcedores de múltiplas origens, reforçando o caráter multicultural realçado pela ONU.

Chamado global para políticas inclusivas

No encerramento da sessão especial em Nova Iorque, representantes dos Estados-membros reiteraram que o Dia Mundial do Futebol não se limita a celebrações simbólicas. A expectativa é que a data sirva de gatilho para ampliar investimentos em infraestrutura esportiva, garantir acessibilidade a pessoas com deficiência e combater a discriminação nos estádios. Também foi destacada a importância de integrar o futebol a programas de saúde pública, aproveitando o interesse popular para incentivar atividade física regular.

Com a institucionalização da data, a ONU pretende monitorizar compromissos assumidos por governos e entidades esportivas nos próximos anos. Entre as metas estão a expansão de ligas femininas, a capacitação de árbitros e treinadores em boas práticas de inclusão, além da implementação de oficinas em comunidades rurais e periferias urbanas.

A primeira edição do Dia Mundial do Futebol encerrou-se com mensagem unificada: independentemente de posição em campo, idioma ou condição económica, todos podem vestir a mesma camisa quando a bola rola. Nos 100 anos desde Paris-1924, o esporte consolidou-se como linguagem universal; agora, ganha também agenda anual oficial que procura transformar paixão em ferramenta prática para desenvolvimento humano.

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