A Apple anunciou durante a WWDC 2026 um novo modo do Siri in Camera que promete simplificar a divisão de despesas em restaurantes. A funcionalidade permite apontar a câmara do iPhone para o recibo, selecionar os itens consumidos por cada pessoa e gerar pedidos de pagamento individuais via Apple Cash. Segundo a empresa, o processo deve eliminar o desconforto e o tempo gasto ao recalcular valores quando o grupo prefere pagar partes iguais.
Como funciona o modo “Siri in Camera” para contas
O utilizador precisa apenas abrir a aplicação Câmara e direcionar o dispositivo para a fatura. O sistema analisa automaticamente o documento e transforma cada linha em um elemento selecionável. Ao tocar em um prato ou bebida, o iPhone associa o custo ao respetivo contacto na agenda do utilizador. Quando todos os itens forem atribuídos, o recurso cria solicitações de Apple Cash separadas, enviadas por iMessage ou outra aplicação nativa de pagamentos.
Durante a apresentação, o vice-presidente de Software, Sebastien Marineau-Mes, resumiu a proposta: “Se estiver num jantar com amigos, basta apontar o iPhone para a conta e escolher o que pediu para dividir a despesa com Apple Cash”.
Integração com o ecossistema iOS
A Apple enfatizou a conveniência de incorporar o recurso diretamente na câmera, em vez de exigir a instalação de aplicações de terceiros. Serviços como SplitWise e Tab já oferecem funcionalidades semelhantes, mas dependem de downloads adicionais e criação de contas separadas. Ao manter tudo dentro do sistema operativo, a empresa espera tornar a experiência mais “orgânica”, uma vez que as solicitações de pagamento são enviadas através de aplicações já utilizadas diariamente.
O Apple Cash, introduzido originalmente nos Estados Unidos como extensão do Apple Pay, é a base para a liquidação dos valores. A transmissão do montante ocorre em poucos toques, sem necessidade de inserir dados bancários ou redirecionar para sites externos. Atualmente, o serviço está disponível apenas em mercados selecionados; a Apple não mencionou expansão para novos países durante o evento.
Reconhecimento de itens e possíveis limitações
O reconhecimento óptico de caracteres (OCR) identifica preços, descrições de pratos e impostos. Contudo, contas muito extensas ou com formatação incomum podem exigir ajustes manuais. A Apple não detalhou como o sistema lida com gorjetas opcionais nem com divisões percentuais, situações frequentes em determinados mercados. A empresa também não especificou se o recurso funcionará offline ou dependerá de conexão à internet para processar a imagem na nuvem.
Em termos de privacidade, a fabricante afirmou que todo o tratamento inicial da imagem ocorre no dispositivo, mas não divulgou detalhes sobre eventuais uploads para servidores Apple. Até ao encerramento do anúncio, não foi indicada a data exata de disponibilidade nos diferentes modelos de iPhone compatíveis.
Outros usos do “Siri in Camera”
Além da divisão de contas, o mesmo modo permitirá obter informações nutricionais aproximadas ao apontar a câmara para o prato. A Apple não forneceu métricas sobre a precisão das estimativas nem esclareceu se utiliza bases de dados regionais para calcular calorias e macronutrientes. A companhia limitou-se a afirmar que o objetivo é ajudar utilizadores a tomar decisões alimentares mais conscientes.
Imagem: GADGETS & TECH
Contexto da atualização e próximos passos
O novo modo faz parte de um pacote mais amplo de aperfeiçoamentos de inteligência artificial apresentados na WWDC 2026. Entre as novidades, a Apple destacou melhorias na experiência do Siri, novas rotinas no Apple Photos e ajustes na infraestrutura que suporta o Apple Intelligence. Contudo, os executivos concentraram-se em demonstrar casos práticos, evitando detalhes técnicos extensos sobre modelos de linguagem ou requisitos de hardware.
A Apple não divulgou requisitos mínimos oficiais, mas analistas presentes no evento especulam que processadores da série A17 ou superior sejam necessários para garantir desempenho adequado. Perguntados sobre a compatibilidade com versões anteriores do iOS, porta-vozes limitaram-se a dizer que mais informações serão divulgadas “próximo ao lançamento”.
Repercussão e concorrência
Ferramentas de divisão de custos existem há anos, mas nunca alcançaram adoção massiva. O ponto de integração nativa é visto como diferencial. Ao remover barreiras como cadastro externo e configuração manual, a Apple pode impulsionar o uso diário dessas soluções. Ainda assim, especialistas lembram que a adoção dependerá de fatores regionais, como disponibilidade do Apple Cash e regulamentações locais de pagamento instantâneo.
Empresas concorrentes no setor de apps de finanças pessoais podem sentir o impacto, mas também encontram oportunidade para integrar-se via APIs ou oferecer funcionalidades adicionais. Já para restaurantes e emissores de notas, padrões de impressão mais claros podem favorecer a precisão do OCR utilizado pelo iPhone.
Disponibilidade e preço
Até o momento, a Apple não anunciou custo adicional para ativar o novo modo. Usuários terão acesso mediante atualização de software programada para este ano, em data ainda a definir. Em conferências anteriores, a Apple costuma disponibilizar primeiras versões beta para desenvolvedores logo após a WWDC, seguidas por betas públicas algumas semanas depois. A tendência deve repetir-se, permitindo a avaliação antecipada por parte de utilizadores mais experientes.
Considerações finais
Ao integrar reconhecimento de recibos e pagamentos instantâneos, a Apple procura resolver um problema social comum: a divisão das contas de grupo. A solução apoia-se na conveniência do ecossistema iOS e elimina passos adicionais que historicamente limitaram a popularidade de apps especializados. Ainda faltam respostas sobre disponibilidade global, precisão do reconhecimento e políticas de privacidade, mas o recurso projeta-se como uma das funcionalidades de maior apelo prático apresentadas na WWDC 2026.





