SETI descarta hipótese de sonda alienígena no cometa interestelar 3I/Atlas

Imagem representando tecnologia e inovação

O Instituto SETI concluiu que o cometa interestelar 3I/Atlas não transporta qualquer tecnologia extraterrestre. A equipa analisou dados de rádio obtidos com o Conjunto Allen de Telescópios e não encontrou sinais artificiais que sustentassem a suspeita de uma sonda alienígena.

Origem das suspeitas sobre visitantes interestelares

Desde 2017, apenas três objetos vindos de fora do Sistema Solar foram documentados: 1I/‘Oumuamua, 2I/Borisov e 3I/Atlas. A natureza pouco comum desses corpos levantou questões na comunidade científica. Formatos alongados, variações de velocidade sem explicação gravitacional e composições químicas atípicas alimentaram a hipótese de que algum deles pudesse ser um artefato artificial em missão de reconhecimento.

No caso específico do 3I/Atlas, medições realizadas com o Telescópio Espacial James Webb detetaram grandes quantidades de dióxido de carbono e metano, numa proporção superior à observada em cometas do Sistema Solar. Essa química fora do padrão reforçou o debate sobre possíveis origens não naturais.

Metodologia da pesquisa conduzida pelo SETI

Para testar a possibilidade de tecnologia alienígena, astrónomos liderados por Sofia Sheikh dedicaram mais de sete horas de observação contínua ao 3I/Atlas. Os instrumentos do Conjunto Allen cobriram frequências de 1 a 9 gigahertz, região do espectro conhecida por ser adequada à procura de sinais de rádio de banda estreita.

Sinais desse tipo não são gerados por processos astrofísicos conhecidos, mas podem indicar transmissões intencionais de civilizações avançadas. O procedimento incluiu três etapas principais:

1. Aquisição massiva de dados: foram registados cerca de 74 milhões de picos de banda estreita ao longo da janela de observação.

2. Filtragem de interferências humanas: a equipa eliminou emissões provenientes de telecomunicações terrestres, satélites em órbita baixa e fontes industriais.

3. Correção de movimento: auditaram-se apenas os sinais que acompanhavam o deslocamento do cometa, a fim de isolar transmissões que pudessem viajar com o objeto.

Resultados obtidos

A filtragem reduziu o total de capturas a aproximadamente 200 eventos potenciais. Cada um foi analisado individualmente para determinar posição, frequência e assinatura temporal. Todos os candidatos foram rastreados até origens conhecidas na Terra ou em satélites, descartando qualquer associação direta com o 3I/Atlas.

Com base na sensibilidade dos receptores e na distância do cometa durante a campanha, os cientistas definiram um limite superior para eventuais transmissores não detetados: entre 10 e 110 watts de potência. Valores acima dessa faixa teriam sido identificados com o método aplicado.

Relevância para futuras buscas de tecnoassinaturas

Apesar de não terem localizado sinais extraterrestres, os investigadores consideram o estudo bem-sucedido. Valeria Lopez, coautora do artigo, destacou que a experiência confirma a capacidade atual de captar transmissões equivalentes a aparelhos elétricos domésticos colocados a centenas de milhões de quilómetros da Terra.

SETI descarta hipótese de sonda alienígena no cometa interestelar 3I/Atlas - TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Imagem: TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Sofia Sheikh acrescentou que, num futuro distante, as sondas Voyager, hoje saindo do Sistema Solar, tornar-se-ão “artefatos interestelares” em trajetórias semelhantes. Compreender a distribuição natural de objetos como o 3I/Atlas ajuda a distinguir anomalias que, um dia, poderão sinalizar tecnologia alienígena genuína.

Comparação com ‘Oumuamua e Borisov

O primeiro visitante identificado, 1I/‘Oumuamua, exibiu aceleração não explicada por jato de gás visível e apresentava formato alongado, o que levou a várias teorias sobre vela solar ou nave alienígena. Estudos posteriores sugeriram que a anomalia poderia resultar da sublimação de gelo de hidrogénio ou de processos ainda por esclarecer, mas não encontraram evidências tecnológicas.

Já 2I/Borisov comportou-se como um cometa clássico, produzindo cauda rica em água e poeira, indício de origem natural. Mesmo assim, a passagem serviu de ensaio para afinar protocolos de escuta de rádio, agora aplicados de forma mais completa ao 3I/Atlas.

Perspetivas de deteção de objetos interestelares

A quantidade de detecções deverá aumentar com programas como o Observatório Vera Rubin, previsto para iniciar operações na década atual. O telescópio mapeará o céu noturno em cadência elevada, permitindo flagrar órbitas hiperbólicas e, portanto, prováveis forasteiros do espaço interestelar.

Paralelamente, missões de interceção rápida estão em fase de planeamento por agências espaciais. A ideia é lançar sondas que possam alcançar esses objetos ainda na aproximação inicial, recolhendo amostras e medições in situ antes que deixem o alcance dos nossos instrumentos.

Limitações do estudo e próximos passos

Embora o intervalo de 1 a 9 GHz seja considerado privilegiado para comunicação interstelar, não se pode excluir totalmente transmissões em outras frequências ou tecnologias não baseadas em ondas de rádio. Além disso, a janela de observação de sete horas cobre apenas uma fração da órbita do cometa.

Os investigadores planeiam repetir campanhas semelhantes sempre que novos visitantes interestelares forem catalogados. A estratégia inclui combinar radiotelescópios de diferentes latitudes, prolongar o tempo de escuta e cruzar dados com observatórios ópticos e infravermelhos.

Conclusão

O estudo do Instituto SETI reforça a interpretação de que o 3I/Atlas é um corpo natural, sem indícios de intervenção inteligente. Ao mesmo tempo, demonstra que a metodologia de procura de tecnoassinaturas alcançou maturidade suficiente para descartar transmissores de baixa potência em objetos a grande distância. A cada nova passagem interestelar, esses protocolos deverão ser aprimorados, mantendo ativa a vigilância científica em busca de sinais que possam confirmar, no futuro, vida fora da Terra.

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