Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul apresentaram, em junho de 2026, um músculo artificial que amplia o deslocamento mecânico e retém estímulos físicos, superando pontos fracos dos atuadores flexíveis tradicionais. O protótipo combina membranas elásticas, ímãs permanentes e um eletroímã para criar um regime biestável capaz de gerar movimentos rápidos com gasto mínimo de energia.
Novo atuador combina forças magnéticas e elásticas
O dispositivo explora a chamada instabilidade elastomagnética, fenômeno que acopla a atração entre ímãs à força restauradora da borracha sintética. Quando essas forças se equilibram, surge um estado biestável: o sistema pode permanecer em duas posições estáveis sem consumo contínuo de corrente.
Basta um breve pulso elétrico para deslocar o conjunto de um estado para outro. Durante essa transição, a energia elástica acumulada nas membranas é liberada de forma súbita, resultando em um movimento amplo e mais veloz do que o observado em atuadores eletromagnéticos convencionais, cujo deslocamento costuma crescer de forma gradual.
Além da amplificação, o mecanismo exibe histerese. Após o acionamento, o braço artificial continua na nova posição mesmo que a corrente volte ao nível inicial. Esse comportamento funciona como memória mecânica, já que o “toque” externo ou a aproximação de um ímã basta para alterar e reter o estado do atuador. Dependendo da configuração, essa memória pode ser volátil ou não volátil.
Potencial para robótica macia e dispositivos médicos
A equipe liderada por Seong-Yu Choi desenvolveu o projeto para responder a três limitações frequentes em músculos artificiais: força insuficiente, deslocamento curto e resposta lenta. Ao converter instabilidade e inércia em elementos funcionais, o grupo obtém um sistema leve, silencioso e com maior alcance de movimento, características valiosas para robôs macios, próteses e ferramentas cirúrgicas minimamente invasivas.
Imagem: TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Como o princípio de funcionamento se baseia no equilíbrio de forças, e não em um desenho geométrico específico, a abordagem pode ser replicada em múltiplas escalas ou integrada a diferentes materiais. Entre as aplicações sugeridas estão transistores mecânicos, processadores neuromórficos e sensores de pico, todos capazes de operar com limiares programáveis e baixo consumo energético.
Os resultados evidenciam um caminho alternativo para o desenvolvimento de atuadores flexíveis, colocando a instabilidade, tradicionalmente tratada como problema, no centro da solução. A tecnologia abre espaço para dispositivos que executam movimentos discretos, rápidos e energeticamente eficientes, aproximando a robótica macia de tarefas que exigem alto desempenho mecânico sem comprometer a leveza do conjunto.






