Meta lança óculos inteligentes de US$ 299 com IA integrada e bateria de 40 h

A Meta apresentou nesta terça-feira (data conforme fuso local) a sua nova geração de óculos inteligentes, batizada simplesmente de Meta Glasses. O produto parte de US$ 299, é fabricado em colaboração com a EssilorLuxottica e chega a vários mercados ainda hoje, mas sem o logótipo Ray-Ban ou Oakley presente em modelos anteriores.

Design, bateria e opções de armação

Ao contrário de dispositivos de realidade aumentada tradicionais, os Meta Glasses não incluem tela. O foco está numa combinação de câmara, alto-falantes direcionais e integração com a assistência virtual da empresa. Um botão lateral ativa por padrão a Meta AI, mas pode ser configurado para abrir funções específicas.

Segundo a companhia, a autonomia ultrapassa oito horas de uso contínuo. O estojo de transporte oferece recargas adicionais que elevam o tempo total para até 40 horas longe da tomada, característica relevante para quem pretende usar o acessório durante todo o dia.

Três estilos inauguram a linha. O Meta Adventurer adota formato retangular e está disponível em dois tamanhos. Já o Meta Fury aposta em linhas mais quadradas, inspiradas em armações populares entre o público masculino. Completa o portfólio a versão Meta Glasses by Kylie, com design ovalado e perfil delgado criado em parceria com a modelo norte-americana Kylie Jenner. Todos os modelos contam com múltiplas combinações de cores e lentes de grau ou solares.

Recursos de IA e funções de assistência

A Meta destaca a integração da sua assistente baseada em inteligência artificial como um dos principais atrativos. Por meio de comandos de voz ou do botão dedicado, o usuário pode solicitar resultados de desporto, recomendações de restaurantes ou informações contextuais sobre o ambiente à sua volta. A câmara frontal colabora para que a IA “compreenda” o que está diante do utilizador e ofereça respostas mais adequadas.

Entre as novidades de software anunciadas, a empresa confirmou a futura chegada do modo Pedestrian Navigation, que fornecerá instruções passo a passo durante deslocamentos a pé. O sistema deverá exibir indicações sonoras e visuais simples, dispensando a necessidade de olhar para um ecrã de smartphone.

A função de tradução em tempo real, já presente em produtos anteriores, passa a suportar 14 novos idiomas, incluindo japonês, mandarim, hindi e coreano. Esse aumento de cobertura linguística busca tornar os óculos úteis em viagens ou em situações de trabalho com equipas internacionais.

Disponibilidade global e cenário competitivo

Os Meta Glasses chegam imediatamente a diversos países — a Meta não divulgou lista completa, mas confirmou a abertura de vendas em mercados chave da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. O preço inicial de US$ 299 posiciona o produto numa faixa mais acessível em comparação com lançamentos recentes do setor. Para efeito de referência, os óculos inteligentes Specs, revelados pela Snap há uma semana, custam US$ 2 195.

A parceria com a EssilorLuxottica, que também esteve por trás dos Ray-Ban Stories, mantém-se como um trunfo logístico e de distribuição. Dados da Counterpoint Research indicam que Meta e EssilorLuxottica somam hoje mais de 80 % de participação no segmento global de wearables voltados ao rosto. O novo dispositivo procura consolidar essa vantagem num momento em que a competição se intensifica e em que empresas de diferentes portes tentam penetrar no nicho de óculos conectados.

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Imagem: ilustrativa

Ao optar por lançar um modelo sem selo de grife de moda, a Meta tenta ampliar o público-alvo e reduzir custos. A estratégia também simplifica o posicionamento da marca, conectando diretamente os recursos de software, como a Meta AI, ao nome do produto.

Como funcionam na prática

A câmara embutida pode capturar fotografias rápidas e clipes curtos, enquanto os alto-falantes direcionais permitem ouvir música ou podcasts sem isolar totalmente sons externos. Esse tipo de saída sonora evita o uso constante de auscultadores e mantém o condutor consciente do ambiente, característica relevante para segurança no trânsito ou em locais públicos movimentados.

O botão físico é sensível à pressão, garantindo feedback tátil para quem prefere comandos manuais. Há ainda microfones com cancelamento de ruído para chamadas ou interações de voz. Todo o processamento pesado ocorre via smartphone conectado, minimizando consumo energético e permitindo que a armação permaneça leve.

Expectativas de adoção

Embora os óculos não ofereçam projeção de imagem, a Meta aposta na combinação de áudio imersivo, captura de conteúdo e inteligência artificial para criar utilidade diária. A empresa afirma que a ausência de tela reduz distrações, melhora a duração da bateria e mantém o design próximo de óculos convencionais, circunstância vista como fundamental para aceitação em público.

Especialistas do setor preveem crescimento continuado de dispositivos vestíveis que integram assistentes de voz, especialmente em categorias que não exigem exibição de conteúdos visuais complexos. A Meta, por sua vez, descreve o lançamento como etapa intermediária antes de soluções de realidade aumentada plena, ainda em desenvolvimento.

Com preço competitivo, recursos de IA em expansão e distribuição global, o Meta Glasses reforça a aposta da empresa em levar computação contextual ao rosto do utilizador, sem depender de ecrãs ou headsets volumosos. Resta acompanhar a receção do mercado e a resposta de concorrentes nos próximos meses.

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