Uma equipa da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, apresentou um revestimento fototérmico que promete cortar significativamente os gastos com aquecimento em edifícios e instalações agrícolas. Os investigadores transformaram um tecido convencional em painéis modulares capazes de manter a temperatura interna quase 5 ºC mais alta durante o dia, sem consumo adicional de energia.
Como funciona o novo painel fototérmico
O sistema parte de um corante especial que converte radiação solar em calor. Depois de aplicado ao tecido, o material é montado em placas removíveis que podem ser penduradas na fachada de casas, apartamentos, estufas ou granjas. Segundo a professora Trisha Andrew, que coordenou o estudo, o corante capta o calor do lado externo e o transfere para o interior, enquanto a própria estrutura do painel ajuda a bloquear a perda térmica para o ambiente.
Nos testes de campo, o protótipo elevou a temperatura interna em cerca de 5 ºC ao longo do dia. Modelos de simulação indicaram reduções de até 15 % nas contas de energia de uma residência típica no clima frio de Massachusetts. Para um prédio de 16 andares, o corte pode chegar a 23 %. Em comparação, reformas tradicionais bem executadas costumam render poupanças de apenas 2 %.
Instalação simplificada e foco no “faça você mesmo”
Ao desenhar o produto, o engenheiro Evan Patamia e os colegas priorizaram a facilidade de instalação. Em vez de painéis fixos permanentes, o grupo criou módulos leves, semelhantes a ladrilhos, que o próprio morador pode colocar e retirar. A proposta é vender o kit em lojas de material de construção: o cliente compra o rolo de tecido já tratado, corta no tamanho desejado, prende em ripas de madeira e instala na fachada em poucas horas.
Essa abordagem visa atender não só proprietários, mas também inquilinos que não podem realizar obras estruturais. Como o método dispensa intervenções na rede elétrica ou hidráulica, a remoção é simples, evitando conflitos com contratos de locação.
Aplicações além das regiões frias
Embora voltado inicialmente para climas temperados e frios, o revestimento também pode beneficiar zonas tropicais que exigem temperaturas controladas, como estufas agrícolas, viveiros de aves e instalações industriais sensíveis. Ao reduzir a dependência de aquecedores a gás ou elétricos, o sistema diminui custos operacionais e emissões de carbono nessas operações.
Imagem: NewsUp Brasil
Personalização estética
Como o elemento ativo é um corante, a equipa afirma ser possível produzir painéis em diferentes cores e padrões, alinhando-os ao estilo arquitectónico local. A investigadora Carolina Aragón ressalta que a aparência é crucial para a adoção em larga escala: “Precisamos oferecer opções que se integrem ao contexto cultural e visual da região, além de cumprir a função térmica”.
Próximos passos e desafios
Os cientistas planeiam agora ampliar os testes em condições reais durante todo o inverno e analisar a durabilidade do corante frente à exposição prolongada ao sol, chuva e variações de temperatura. Outro foco será otimizar o processo de fabrico para reduzir custos e facilitar a produção em massa.
Caso os resultados se confirmem, o revestimento fototérmico poderá surgir como alternativa acessível para melhorar a eficiência energética de edifícios existentes, contribuir para metas de descarbonização e oferecer maior conforto térmico sem sobrecarregar a rede elétrica.






