Tim Cook deixa cargo de CEO da Apple; John Ternus assume em setembro

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Tim Cook encerrará seu mandato de 15 anos como diretor-executivo da Apple em 1º de setembro. O posto será ocupado por John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware, escolhido para liderar a empresa na próxima etapa. Cook entrou na Apple em 1998, assumiu o comando em agosto de 2011, após a saída de Steve Jobs, e conduziu a companhia ao patamar de maior valor de mercado do mundo.

Resultados financeiros multiplicados

Quando Cook se tornou CEO, a Apple valia pouco menos de US$ 350 bilhões. Em 2018, a marca ultrapassou US$ 1 trilhão; em 2020, atingiu US$ 2 trilhões; em 2022, chegou a US$ 3 trilhões; e, em 2025, atingiu US$ 4 trilhões, posição que mantém com avaliação estimada em US$ 4,01 trilhões. O lucro líquido no exercício fiscal encerrado em setembro de 2025 foi de US$ 112 bilhões, oito vezes mais que o apurado em 2010, mesmo diante de desafios como a pandemia de COVID-19 e tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China.

Responsável pela cadeia global de suprimentos durante a era Jobs, Cook reforçou a presença industrial da Apple na China e acrescentou cerca de 200 lojas à rede mundial da companhia. A estratégia logística, refinada nos anos em que exerceu o cargo de diretor de operações, foi apontada internamente como fator decisivo para sustentar a expansão de vendas e margens em meio a disrupções de fornecimento entre 2020 e 2022.

Novo portfólio de dispositivos

O mandato de Cook ficou marcado pela ampliação do ecossistema além de iPhone e Mac. Em 2015, a Apple lançou o Apple Watch, relógio inteligente que evoluiu para plataforma de monitoramento de saúde com recursos como ECG e medição de oxigênio no sangue. No ano seguinte, os AirPods inauguraram uma categoria de fones totalmente sem fio que rapidamente dominou o mercado. Em 2020, chegaram os fones over-ear, ampliando a família de áudio, segmento fortalecido pela compra da Beats em 2014.

Em 2024, a empresa apresentou o Apple Vision Pro, posicionado como plataforma de computação espacial. O preço elevado, entretanto, limitou a adoção inicial do produto. Cook também supervisionou a diversificação dos iPads, que passaram a oferecer vários tamanhos e faixas de preço, com desempenho suficiente para substituir notebooks em tarefas de estudo e trabalho. No iPhone, a gestão introduziu o modelo SE de menor custo, telas sem bordas e autenticação via Face ID.

Serviços impulsionam receitas recorrentes

A Apple transformou seu quadro de receitas ao reforçar a área de serviços. O Apple Pay, inaugurado em 2014, conta hoje com estimados 818 milhões de usuários globais. A plataforma de streaming Apple Music, lançada em 2015 para competir com o Spotify, soma mais de 112 milhões de assinantes. Em 2019, a companhia estreou o serviço de vídeo Apple TV+, cujo catálogo já recebeu centenas de prêmios, incluindo Oscar de Melhor Filme. No mesmo ano, a Apple apresentou o serviço de jogos Apple Arcade.

A infraestrutura de armazenamento iCloud, anunciada originalmente em 2011, ganhou versão iCloud+ em 2021, oferecendo opções de privacidade ampliada. Ao mesmo tempo, a empresa manteve a política de comissão de 30% na App Store, ponto de debate em diversas jurisdições. Somados, os serviços geraram US$ 109,16 bilhões no ano fiscal encerrado em setembro de 2025, correspondendo a pouco mais de um quarto dos US$ 416,16 bilhões de receita total do período.

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Imagem: Xinhua

Processadores próprios e era da inteligência artificial

Outro marco da gestão Cook foi a transição dos computadores Mac de processadores Intel para chips Apple Silicon. Iniciada em 2020 e concluída em 2023, a mudança proporcionou ganhos de desempenho, eficiência energética e autonomia de bateria. Em 2024, a Apple apresentou o Apple Intelligence, primeira leva de recursos de IA generativa nativos do ecossistema da empresa. Desde então, o lançamento de uma Siri completamente renovada sofreu adiamentos, mas é aguardado para este ano. Para ampliar capacidades, Apple e Google anunciaram integração com o modelo Gemini, que abastecerá ferramentas de IA de próxima geração nos dispositivos da marca.

Em iniciativa paralela, Cook e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciaram em 2025 um compromisso de investimento de US$ 600 bilhões em território norte-americano, distribuídos ao longo de quatro anos. O plano prevê expansão de empregos e reforço da cadeia doméstica de semicondutores e tecnologias avançadas.

Sustentabilidade e legado corporativo

O campus Apple Park, concebido por Steve Jobs e inaugurado em 2017, foi concluído durante a administração de Cook. Com 175 acres, abriga mais de 12 mil funcionários, utiliza 100% de energia renovável e serve de palco para lançamentos de produtos. A companhia continua a adotar metas ambientais ambiciosas, como neutralidade de carbono em toda a cadeia até 2030.

A sucessão para John Ternus será acompanhada de perto por investidores e parceiros. Engenheiro formado na Penn State University, Ternus liderou projetos como as linhas iPhone 12, iPad Pro e MacBook Pro com Apple Silicon. Com a transição programada, o executivo assume responsabilidade por manter o ritmo de crescimento em hardware, expandir serviços digitais e acelerar a estratégia de inteligência artificial que definirá a próxima década da Apple.

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